8.8.09

Léxico: «barreira de segurança»


Só a segurança está certa


      «Houve quem aproveitasse a ausência de autocarros para espreitar a prova, outros seguiram sempre “pendurados” nas grades de segurança o contra-relógio, alguns à procura da melhor fotografia ou somente a apoiar os atletas» («Festa da Volta em Lisboa seduz até quem não aprecia ciclismo», Elisabete Silva, Diário de Notícias, 6.08.2009, p. 36). A jornalista que vá a uma loja ou uma oficina de serralharia e peça grades de segurança e verá que lhe perguntam logo se as quer de lagarto, de enrolar ou fixas, para porta ou janela. Não, não, o que se vê na imagem e a jornalista queria escrever é barreiras de segurança.

Confusões: «júri» e «jurado»

O mal ainda cá está

      «Victoria Beckham já teve várias vidas. Depois de ter sido cantora, modelo, mãe de família e designer de moda surge agora como júri de um dos mais famosos programas da televisão americana, o American Idol» («Victoria no ‘American Idol’», Diário de Notícias, 7.08.2009, p. 60). Há erros e erros. Este é, sem qualquer dúvida, um dos mais estúpidos. E há quem continue a fazê-lo diariamente. Se calhar, quem sabe, alguém que julga que não tem nada a aprender.



«De baixo custo» e não «low cost»

Não custou nada, aposto

      «A companhia aérea de baixo custo Ryanair anunciou ontem o lançamento de três novas rotas a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e uma delas — Porto-Faro — representa a sua primeira ligação doméstica em Portugal» («Ryanair começa a voar entre o Porto e Faro», Aníbal Rodrigues, Público, 6.08.2009, p. 20). Só uma pergunta: custou muito, causou muitos engulhos escrever de baixo custo em vez de low cost? Os colegas da redacção gozaram muito? Continuem a ser assim sensatos.




Verbo «tuitar»

É oficial

      Não é que os jornalistas não gostem de postar e de blogar, mas ultimamente apreciam mesmo é tuitar (e, por vezes, mesmo twitar): «Dizem-me que houve conselheiros nacionais do PSD a tuitar durante a reunião em que se discutiam as listas. […] Naquela reunião do PSD, o deputado Ricardo Almeida tuitou para o mundo (em tempo real e, repito, com as portas fechadas)» («Políticos estão mais curtos», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 6.08.2009, p. 56). «Apesar de todos os percalços, o deputado Jorge Seguro, um dos organizadores da blogconf, ainda arranjou boa disposição para twitar: “Não me convidem para pôr vídeos na Internet”» («Uma blogconf com Sócrates sem choque tecnológico», Nuno Simas, Público, 28.07.2009, p. 5). É claro que blogam há mais tempo («Felgueiras também bloga», M. G., Diário de Notícias, 27.09.2005) e continuam a postar («Quando os cidadãos ‘postam’ a cidade», Rui Pedro Antunes, Diário de Notícias, 27.04.2009). Por uma vez, lá descortinam a vantagem de aportuguesar os termos relativos às novas tecnologias.

7.8.09

Erros na televisão


Mais vale dormir


      Há muitas semanas que não via televisão. Ontem, dediquei uns minutos a esta actividade. Na Sic Notícias, Ana Lourenço entrevistava, a propósito do caso do Avastin no Hospital de Santa Maria, o oftalmologista Miguel Burnier, presidente do Departamento de Oftalmologia da Universidade de McGill (de Montreal), e confundiu medicamentos off-label use, expressão usada pelo médico, com medicamentos genéricos. Ainda fez um trejeito quando Miguel Burnier a corrigiu, mas já não havia nada a fazer. Mudei para a RTPN, em que Andrea Neves moderava um debate sobre a gripe A e, a determinada altura, perguntou a Filipe Froes, pneumologista do Hospital Pulido Valente e consultor da Direcção-Geral da Saúde, se o álcool em gel, produto utilizado na higienização das mãos para evitar que o vírus seja passado de pessoa para pessoa, causa habituação (!). Pergunta que também um homem da Idade Média faria. O médico disparou logo que o álcool não era para beber. Apanhada em flagrante, a jornalista lamentou ter feito aquela pergunta, mas já estava feita.