13.5.11

Informação



Caros leitores, mudei-me para aqui.



Depois da última paragem do Blogger e da perda de centenas de posts, não havia outra solução. Este blogue será mantido, continuarei a aceitar comentários, mas não será actualizado. Com sorte (e alguma cunha no SAPO), todos os posts e comentários serão transferidos para o Linguagista.



Léxico: «milagrar»

Da taumaturgia

      «Sylvie Testud interpreta uma rapariga tolhida pela esclerose múltipla que vai em excursão a Lourdes para fugir ao isolamento, mais do que por uma questão de fé ou esperando ser curada. Mas é ela que acaba por ser milagrada» («O curioso caso do milagre inesperado», Eurico de Barros, Diário de Notícias, 12.05.2011, p. 47).
      Milagrar é fazer, operar milagres, mas tenho dúvidas. «Milagrar, v. i. Pop. Fazer milagres: “Quanto pode Santo António se lhe dá p’ra milagrar!” Cf. Romanc. Ger. Port., II, 535. — “Que por todo o mundo andavas, noite e dia, a milagrar.” Ib. 532» (Brotéria, 12, 1931).


[Post 4775]

12.5.11

Linguagem

Menos descontracção

      «Portanto, sempre que temos um verbo no modo infinitivo, temos sempre de descontrair, ou não contrair, melhor dizendo, as preposições com artigo» (Jogo da Língua, Sandra Duarte Tavares, Antena 1, 3.05.2011). (É o que faço, mas Vasco Botelho de Amaral tinha, já aqui o escrevi, outra opinião.) Para descontrair, senhora linguagista, recomendo-lhe um miorrelaxante de acção central.

[Post 4774]

Verbo «comparar»

Um estranho caso

      Ora vejamos outra frase que sai facilmente, diariamente, da pena dos jornalistas económicos: «Este valor do HSBC compara com as despesas operacionais totais de 37,7 mil milhões de dólares (26,2 mil milhões de euros) no ano passado.» Não haverá confusão com outro verbo intransitivo, como, sei lá, «contrastar»? E não seria melhor escrever que «este valor do HSBC assemelha-se ao das despesas operacionais, etc.»? Ora andai; dizei de vossa justiça.

[Post 4773]

«Pentelho/pintelho»

Só para poetas

      «[…] e os jornalistas, em vez de discutirem como é que, quais são as medidas no sistema de justiça, como é que vão reforçar o poder dos directores da escola, como é que vão reforçar o ensino técnico-profissional, que é, vai ser uma revolução no programa, etc., em vez de andarem a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal, andam a discutir — passo a expressão — pintelhos» (Eduardo Catroga, Negócios da Semana, Sic Notícias, 11.05.2011).
      Anda mal citado por aí — foi mesmo «pintelhos» que o coordenador do programa eleitoral do PSD disse. Grande admiração, reticências. Deviam pensar que só poetas e romancistas podiam usar a palavra: Jorge de Sena, Casimiro de Brito, Augusto Abelaira. «Desço a mão, cuidadosamente, quase um a um, afasto-lhe com os dedos os pintelhos até encontrar a abertura do sexo» (Sem Tecto entre Ruínas, Augusto Abelaira. Lisboa: Livraria Bertrand, 1979, p. 65).
      É verdade que a variante mais comum é «pentelho», e mesmo a única registada nos dicionários, mas não é por isso que se deve citar mal. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista «cona» e «caralho», por exemplo, esqueceu-se de pentelho/pintelho.

 [Post 4772]