27.2.09

Superlativo absoluto sintético de «sério»


Não temo hiatos


      Há, não posso desmentir, escritores seriíssimos a escreverem «seríssimo», mas eu é que não me convenço. O superlativo absoluto sintético obtém-se acrescentando o sufixo derivacional -íssimo (no caso, pois há outros), que nos parece tão intrinsecamente português, mas que só surgiu na língua comum no século XVI, ao adjectivo na forma positiva, suprimindo-se, por vezes, a vogal temática. Assim, será séri(o)+íssimo, seriíssimo. Não sigo, contudo, cegamente a regra, pois o superlativo de «sumário» seria sumariíssimo, o que eu jamais diria. Mas será, vendo bem, talvez o único caso em que não sigo a regra, discordando da observação de Celso Cunha e Lindley Cintra (mas qual deles escreveu esta observação?) na Nova Gramática do Português Contemporâneo: «Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua actual prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i» (3.ª ed., Lisboa: Edições João Sá da Costa, p. 260). Será então seriíssimo, tal como cheiíssimo, feiíssimo, friíssimo, necessariíssimo, precariíssimo, variíssimo… É como diz Evanildo Bechara: «Ainda que escritores usem formas com um só i (cheíssimo, cheinho, feíssimo, seríssimo, etc.), a língua padrão insiste no atendimento à manutenção dos dois ii» (Moderna Gramática Portuguesa. 37.ª ed. Rio de Janeiro, 2002, p. 151).

3 comentários:

Ricardo disse...

Celso Cunha escreveu uma Gramática do Português Contemporâneo: de acordo com a nomenclatura gramatical brasileira, cujo texto é praticamente o mesmo da Nova. A Nova Gramática do Português Contemporâneo resulta da colaboração com Lindley Cintra. Aliás, lemos na página xv da mesma: "Toda a obra foi objecto de exame conjunto e de troca de sugestões entre os seus autores. Cumpre-nos, no entanto, dizer, para resguardar as responsabilidades de autoria, que a Lindley Cintra se deve a redacção do Capítulo 2, da maior parte do Capítulo 3 e do tratamento contrastivo do Capítulo 13. A Celso Cunha cabe a redacção dos demais capítulos, bem como a exemplificação aduzida."

Franco e Silva disse...

Se para «necessário» é «necessariíssimo», porque não há-de ser «sumariíssimo» para «sumário» (e, assim, não admitindo excepções)?

Helder Guégués disse...

E é, mas o uso contrário, quase todo no âmbito jurídico, tem muita força.