19.1.11

Pronomes pessoais enclíticos

Muito tino


      Mesmo nos clássicos, já aqui se viu, nem tudo é para imitar. Em Filinto, por exemplo, vê-se o particípio passado com pronomes pessoais enclíticos: «Tinha eu feito o retrato do meu amigo e metido-o numa bocetinha.» Veio-me agora à memória esta precaução, já no fim do dia, quando ouvi a minha filha usar uma construção semelhante.

[Post 4338]

4 comentários:

Anónimo disse...

Filinto é dos mais forçados e arrevesados no dizer. Com razão se poderia sugerir a leitura das suas obras completas como um novo tipo de pena para juntar às do Código Penal, mas seria muito desumano.
- Montexto

C. Kupo disse...

Se Filinto é clássico e muitas vezes trazido à baila como argumento de autoridade, e mesmo assim comete coisa assim, fico a indagar-me: há outros registros semelhantes em outros escritores, também clássicos? tal proibição (ênclise com particípio passado) sempre vigeu? ou foi a partir de algum momento mais ou menos específico? qual?

C. Kupo disse...

Alguém se anima a contribuir?

Anónimo disse...

Ainda que porventura se possa topar mais um que outro exemplo nesta ou naquela pena de boa ou sofrível nota, nunca vigorou, caro Kupo. É mero descuido ou violência de Francisco Manuel do Nascimento.
«Quem há aí tão acabado que tudo diga e faça perfeitamente?», perguntava D. Duarte (cito de memória).
- Mont.