30.3.11

Interjeições

Ena!

      Já aqui vimos mais de uma vez como as interjeições têm sido descuradas por dicionários, gramáticas e — o que é pior — pelos tradutores. Assim, nem sequer uma vez vejo a interjeição inglesa wow, aportuguesada em uau e muito usada pelos mais jovens, vertida de outra forma que não «uau». Ora temos melhor e nosso: ena, por exemplo. Exprime surpresa e admiração, como wow. Ou, pelo menos, que variem, usando ora uma ora outra.
      E já que foquei novamente esta questão, é a oportunidade ideal para sugerir que os responsáveis do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que tão atentamente, ao que me parece, seguem este blogue, comecem a referir, no verbete de cada interjeição, o que exprime, de que tipo é. Os leitores iam agradecer.


[Post 4632]

9 comentários:

Anónimo disse...

O fenómeno já chegou às onomatopeias, e há-de-se estender às vozes dos animais. Estou para ver em letra de forma um cão ladrar «auf! auf!».
— Montexto

Helder Guégués disse...

Eu já vi, Montexto.

Anónimo disse...

Que me diz?! A realidade ultrapassa as minhas piores previsões. Nem sei que nome dê a isto... E depois Venâncio ainda acha que não há motivo para «tonitruantes tiradas a assinalar descaminhos»!
— Mont.

R.A. disse...

A esta hora (17:15) o Dic. Priberam tem explicações para as interjeições. Só não tem para "ena!", julgo eu que por remeter para "eia!" e "ui!" que as têm.

Venâncio disse...

Eia sus, Montexto!

C. Kupo disse...

Falo como brasileiro e gaúcho que sou: nunca ouvi nem li, antes de agora, a interjeição "ena". Deve mesmo ser de uso exclusivamente português. Cá no Brasil, portanto, imagino que os tradutores há de sempre ficar com "uau".

C. Kupo disse...

Leia-se "hão de", evidentemente.

António Viriato disse...

Há muito muito que por aqui não passava.

Volto a confirmar o louvável empenho «em defesa e ilustração da Portuguesa Língua» para que ela possa continuar altiva e soberba de si, lá onde for, onde quer que se use.

Esta do uau é mais uma mania, monomania, diria, com a imitação automática, irreflectida de tudo o que lhes parece Inglês, na maior parte dos casos um inglês americano grosseiro, já algo distante do velho inglês britânico, sobretudo, porque o mais recente já se encontra também fortemente americanizado, pelo padrão deste, o que vigora no mundo do cinema e do audio-visual.

Precisava tudo de voltar à Escola, mas cada vez é mais difícil impor paradigmas.

Só com um grande esforço das elites culturais, em primeiro lugar, coadjuvadas pelas restantes:as da administração pública,privada, etc., se poderia operar a desejável regeneração educativa da Nação.

Quanto mais tempo vai passando, mais penosa se vai tornando a concretização deste objectivo e mais longínquo ele nos parece.

Entretanto, cada um deve ir fazendo o que pode, o que acha ao seu alcance, «cultivando o seu jardim» , como nos recomendava o sagaz Voltaire.

Bom trabalho, amigo.

Anónimo disse...

Com efeito, só do que podemos fazer, e está ao nosso alcance — «do que depende de nós» (Epicteto) — só disso somos responsáveis; o resto pertence à fortuna.
— Mont.