7.3.06

SIDA ou sida?

Evoluções


      Luís Soares, leitor deste blogue, pergunta-me porque se deixou de escrever «SIDA» para se passar a escrever, pelo menos na maioria dos meios de comunicação escrita, «sida». O termo começou por ser a abreviatura de «síndrome de imunodeficiência adquirida». No início, ora se lhe atribuía o género masculino, ora o feminino. (Era um tempo incerto, esse, em que quase toda a gente dizia «Cavaco e Silva»; como ainda há, hoje em dia, quem hesite, ele voltou para mais dez anos.) Estabelecido, com o tempo, que o género devia ser o feminino (a síndroma ou a síndrome), passou a usar-se de uma forma crescente, infelizmente. Decorridos estes anos todos, a sigla foi lexicalizada, isto é, é como se fosse um vocábulo como qualquer outro. É a gramática a seguir a pragmática. A marca da sigla — o emprego das maiúsculas — desapareceu. Ora dê uma olhadela ao Dicionário da Academia. Já viu? Está dicionarizada como substantivo feminino.

      A propósito, devo dizer que no Brasil a sigla que se preferiu foi «AIDS», tal como em inglês, porque, sendo «sida» homófona de «Cida», hipocorístico de Aparecida, nome próprio muito comum no Brasil, não seria lá muito auspicioso, pois que se prestaria facilmente a trocadilhos.



1 comentário:

Anónimo disse...

´Fui parar ao "blogue" sem querer. Fiquei fascinada como são esclarecidas dúvidas/curiosidades.
A "sida" está de tal forma disseminada que já me tinha esquecido qual a sua origem...
É bom haver alguém que nos faz recordar os nossos esquecimentos.