2.9.08

Formações com prefixos: anti-

Vejam lá isso

O Diário de Notícias, que nem sequer é o pior jornal neste aspecto, titulava (mas os títulos têm vindo ultimamente a ser escritos da forma mais desleixada que é possível) ontem: «Quercus ‘condena’ caravanistas anti-ambiente» (Diário de Notícias, 1.09.2008, p. 24). Pergunto: não será a maioria destes erros proveniente da Lusa? E a Lusa não tem revisores?
Anti- leva hífen antes de h, i, r, s: anti-herói, anti-infeccioso; anti-racista, anti-semita.

5 comentários:

Anónimo disse...

Embora essa seja a regra, há uma tendência para colocar hífen entre anti- e um substantivo. Eu também prefiro assim e escreveria anti-ambiente (com hífen) sem hesitar

Helder Guégués disse...

Ou seja, adopta somente as regras que lhe agradam. Se conduz, espero que em relação ao Código da Estrada não tenha esse comportamento errático.

zoto disse...

Helder, convenhamos que ninguém cumpre a regra. Sinto-me frequentemente ridículo quando aplico as macros do Word para remover os hífenes de anti-, auto-, etc. (Nunca lhe aconteceu?) De onde surgiu o ódio dos legisladores ao hífen?

Helder Guégués disse...

Caro JJLeiria
Cumpro diariamente num jornal as regras que reputa uma canga ou um absurdo. Mas porquê? São regras e — quer saber? — para mim, à força de as aplicar, não faz é sentido fazer-se de modo diferente. Em que diferem, aliás, da regra que manda começar um período com maiúscula ou isolar um vocativo com vírgulas?
Um abraço,
Helder Guégués

zoto disse...

Caro Helder,

Entretanto, lembrei-me de uma analogia inofensiva com o seu Código da Estrada, em que todos os habitantes do país dos Zorgues andavam com o vermelho e paravam no verde. Todos? (Bem, deixe-me voltar atrás...)

Eu não conduzo, por isso não posso saber se me sentiria ridículo ao incumprir a regra não-escrita que manda ignorar os limites de velocidade, sob pena de ouvir buzinadelas e impropérios.

Faz-me apenas confusão que não haja quem, entre jornalistas, escritores e tradutores, seja capaz de fugir à colocação abusiva do hífen.

Assim, não sei se não teria sido mais fácil — já que o critério era esse — que o legislador optasse por voltar (?) a separar por meio de hífen os prefixos, em vez de acrescentar agora a duplicação de consoantes (e a supressão do agá?) ao rol.

Não acho que a regra seja absurda, acho apenas absurda a sua maciça não-aplicação. Não me leve a mal, por favor...