6.12.08

Talvez + indicativo?

Mas há


      Sim, caro M. L., o advérbio «talvez» impõe o uso de uma forma verbal no modo conjuntivo, mas na literatura encontram-se inúmeros exemplos em que é usado o modo indicativo, e em autores de grande valia, como o deste exemplo que aqui deixo: «Ainda agora ignorava porquê: talvez supunham que abusava de se ver já senhora das suas acções em tão pouca idade» (Tomaz de Figueiredo. Procissão dos Defuntos. 2.ª edição. Lisboa: Editorial Verbo, 1967, p. 42).


3 comentários:

Fernando Venâncio disse...

Caro Helder,

O conjuntivo é uma 'inflexão', uma concessão, uma pequena vénia. É de crer que Tomaz de Figueiredo (que era, de facto, um prosador cuidadoso) tenha percebido que SUPOR (concretamente «supunham») já contém alguma inflexão mental, e que por isso o conjuntivo se dispensava, ou era mesmo redundante.

Não se trata sem mais, creio bem, de um «talvez» a reger indicativo.

FV disse...

P.S.

Parece-me ousado afirmar que há na literatura «inúmeros exemplos» do fenómeno.

Helder Guégués disse...

Caro Fernando
Bem observado. Contudo, à primeira vista, é isso que temos: talvez + indicativo. Em escritores do século XIX, há muitos (se lhe repugna «inúmeros») exemplos, e talvez mais claros do que este. A seu tempo aqui os trarei, para proveito de todos.
Um abraço,
Helder