25.1.11

Acordo Ortográfico

Fale por si


      No correio dos leitores da edição de ontem do Metro (p. 9), foi publicada esta carta assinada por Nuno Duarte: «Parece que a reação de alguns setores à conceção e adoção do novo acordo ortográfico (como foi batizado) é de objeção. De fato, há aspetos neste acordo que tornam difícil a sua receção pelo coletivo, em especial quanto à dição de algumas palavras impressas, devido à supressão de carateres. Contudo, a direção certa e a melhor ação a tomar é deixar a afetividade em relação à antiga ortografia e começar a escrever de modo exato. É que, sejamos diretos: este modo de escrever pode não ser ótimo, mas é um ato consumado e até já o ensinam às crianças no atual ano letivo. Uma pequena nota: este texto não tem 20 erros; foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.»
       As contas não batem certo. De qualquer modo, o texto não tem vinte erros, não: tem, pelo menos, dois. Segundo as novas regras ortográficas, não passaremos a escrever, nós, Portugueses, «fato» como alternativa a «facto», tal como também não o faremos em relação a «dicção». Quanto ao resto, um erro factual: pode ser um acto consumado, mas ainda não o ensinamos às crianças neste ano lectivo, mas apenas no próximo. Claro que os jornais estão sedentos destes contributos, e nem reparam nestes erros. É que são muitas páginas para encher diariamente.

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13 comentários:

Bic Laranja disse...

De feito, há razão para dizer que o abjecto aborto gráfico é já ensinado aos meninos de cá ....
E de facto, comprova-se que o aborto entrou depressa a abastardar a fonética.
Cumpts.

R.A. disse...

Não nada disso! Veja-se como um grupo editorial da dimensão da "Impresa" (Expresso, Visão, JL, etc.) adotou o novo Acordo e como isso não provoca qualquer reação nem prejudica a leitura das suas edições. Até a RTP já escreve corretamente na maioria das notícias que correm em rodapé (às vezes distraem-se...).
É uma questão de tempo!
E deixem a fonética em paz que não é para aqui chamada!

Bic Laranja disse...

@ R.A.
Como sabe vossemecê que não prejudica a leitura? Já inquiriu todos os leitores das publicações brasileiras que refere? Olhe que inúmeros me dizem que os vocábulos mutilados são um verdadeiro tropeço à leitura. Não provoca reacção? Eu próprio lhe confirmo a urticária que me fazem os dirêtos. Veja mais reacções aqui....
Mas admito que a sua relação com o léxico seja mais dissoluta...
Cumpts.

C. Kupo disse...

Caro Helder: Como frequentador assíduo que sou de seu blogue (ou "habitué", para bulir com todos aqui), tenho sentido e lamentado esse problema de as entradas iniciais de cada mês ficarem inacessíveis pela página de arquivos (pelo sistema de busca, é possível resgatá-las, claro, mas só quem as conhece e lembra de cabeça poderia fazê-lo a contento). Sendo assim, procurei informar-me brevemente sobre o caso. Descobri, da própria Ajuda do Blogger, que "O tamanho das páginas individuais (a página principal do seu blog ou as páginas de arquivo) está limitado a 1 MB. Isso permitirá algumas centenas de páginas de texto, mas pode ser um problema se você está listando centenas de postagens na página frontal do seu blog. Se você ultrapassar esse limite, verá uma mensagem de erro dizendo '006 Entre em contato com o Suporte do Blogger'".
Como evidentemente não temos recebido essa mensagem, a explicação encontro-a numa outra página de ajuda, em que um visitante explica: "Desde o dia 18/02/2010 foi implementada a limitação automática das páginas. Embora a novidade deva afetar, precipuamente, as páginas dos (a) marcadores, (b) arquivos e (c) resultados de pesquisas, blogs com vários posts na (d) "homepage" também podem sofrer a restrição[3]. Esta é a única explicação que consigo vislumbrar para o caso em exame." Donde se conclui que optaram não mais pelo erro 006, por inviabilizar completamente o acesso, mas por ocultar automaticamente todas as entradas que ficassem de fora do limite de 1MB.
Pois bem. É verdade que o texto simples pouco espaço ocupa, sendo o meio preferível de transmissão de dados na Internet, mesmo com banda larga; e é verdade ele que vai ficando tanto mais pesado quanto mais complexa for sua formatação. Ainda assim, por maior que seja o uso de negrito, itálico, vermelho, destaque branco, alíneas, etc. em suas entradas, não me parece que o problema esteja no texto, mas sim nas imagens, que devem estar tomando demasiado espaço desse limite ínfimo.
Portanto, o que eu proponho, a título de experiência, é que você remova (depois de fazer becape) as imagens de dezembro passado para vermos se as primeiras entradas tornam a aparecer (só consigo visualizá-las do dia 31 ao 12, registre-se desde já). Se conseguirmos, ficará demonstrada a natureza do problema, e demonstrada a solução. Se não...

Helder Guégués disse...

Muito obrigado pela ajuda, Kupo. Vou tentar, tanto mais que as imagens raramente são essenciais no meu blogue.

Anónimo disse...

Apreciei aquele «de feito», caro Bic. A sério. Era bastante corrente em Camilo, mas cuidei que já ninguém se atrevesse a usá-lo. Muito bem.
- Mont.

C. Kupo disse...

Também posso dizer que apreciei, por nunca tê-lo visto antes, ou dele ter-me esquecido completamente.
Mas lá sempre há quem possa vir com a história dos cacófatos. Ha ha ha!

R.A. disse...

Não me consta que as tiragens do Expresso estejam a baixar.

Bic Laranja disse...

@ Kupo, @ Montexto
Honra-me o apreço, de mais a mais vindo de quem vem.
Calhei só foi a não perceber se o vir cá com a cacofonia era comigo.
Cumpts.

C. Kupo disse...

Não; era alusão àqueles que implicam com o assunto, já algumas vezes referido neste blogue.

Anónimo disse...

Como calou fundo no caro Kupo o dito de Mário Barreto sobre gramáticos e suas regras (ver neste blogue «"Meio", advérbio», 15.01.2011), talvez também aprecie este sobre cacofonias: «Há muita gente que anda a pesquisar, a rebuscar, a farejar cacófatos em toda a parte e críticos que negam a condição de poeta àquele em cujos versos haja hiatos e cacofonias, como se o Parnaso não estivesse inçado de tais vícios, inevitáveis muitas vezes se se concede mais importância ao pensamento e a emoção que à "factura"» (Mário Barreto, «Através do Dicionário e da Gramática», 1986, cap. LXI). E, citando Agostinho de Campos, da «Antologia Portuguesa, Bernardes», II, p. XXXVII: «Sabido que a imoralidade destinge muitas vezes das almas para as coisas, e não "vice-versa", acontece naturalmente que os que andam neste mundo à procura de beleza, e não de porcaria, pouco ou nada reparam na existência de tais incorrecções.»
- Montexto

C. Kupo disse...

Ha! Faz-me sempre bem ler dessas coisas. Obrigado.

Anónimo disse...

Então fascinante este espaço parece bem organizado.........bom estilo:)
Amei faz mais posts assim !!