31.1.11

Apelidos

Meninos de coro


      Na sua edição de 27 de Maio de 1942, o Jornal do Brasil publicava um texto intitulado «Nomes próprios... impróprios». Revelava esse texto que na última fornada de portugueses que tinham alcançado a naturalização no Brasil se contava um cidadão com o nome de José Francisco Catarro. A determinada altura, lê-se: «Devia ser proïbido no Brasil o uso de nomes risíveis, grotescos, repugnantes e obscenos.» Passados setenta anos, a proibição seria agora mais necessária. Agostinho de Campos, sem se abespinhar, referiu o caso para falar de alcunhas e apelidos. «¿Como evitar, por exemplo, que os rapazes chamem parvalhão a um professor de apelido Carvalhão? Em todo o caso previna-se o mal até onde fôr possível», considerava a propósito de uma lei que existia então na Alemanha que permitia que os indivíduos com nomes risíveis — como Fleischfresser, ou Rindfleisch, ou Tischbein — que seguissem a via do professorado mudassem de nome. Quanto a apelidos portugueses, escrevia: «Além de Freire e de Frade existem outros apelidos provenientes de títulos eclesiásticos: Monge e os seus parentes Moogo e Moog; Bispo e até Pontífice. Clerguinho e Mousinho são como quem diz “meninos do côro”» («Das alcunhas aos apelidos», in Língua e Má Língua. Lisboa: Livraria Bertrand, 1944, pp. 289-90).
      Como sei que alguns dos meus leitores têm curiosidade sobre a origem dos seus apelidos, deixo estas notas de Agostinho de Campos (1870—1944), escritor, pedagogo, jornalista e político português.

[Post 4380]

4 comentários:

Anónimo disse...

A admirável modernidade bem lhe podia reimprimir os volumes da «Antologia Portuguesa», com tão belas e oportunas introduções, e em seguida espelhar-se neles, para escarmento, em vez de andar para aí a ler e tresler (para usar um título do mestre).
— Montexto

Anónimo disse...

Estou perfeitamente de acordo com o Jornal do Brasil. Deviam ser proibido nomes ridículos como "Ruben McDonalds", "Mijardénia", "Merdanésia, Jorge Um, Dois, Três de Oliveira Quatro" e outros tantos que já tornaram famosos no Brasil inteiro.

E que dizer do famoso jogador brasileiro Maicon Douglas, que ficou com este bonito nome porque o pai queria prestar uma homenagem ao actor Michael Douglas e nem ele, nem o funcionário do registo sabiam escrever "Michael"?

Quem teve oportunidade de consultar os editais dos eleitores brasileiros recenseados em Portugal, que estiveram afixados na faculdade de direito antes das últimas eleições presidenciais brasileiras, pôde também ver pérolas como Kamylla, Karla, Walterley e outras tentativas patéticas de imitar nomes americanos.

Estranho é o Jornal do Brasil estar só preocupados com os apelidos portugueses. Aliás, estranhar não estranho, porque o anti-lusitanismo está-lhes no sangue.

C. Kupo disse...

Já eu aqui me referi outras vezes aos nomes inventados que grassam no Brasil, sem tradição, sem significado e não raro com grafia absurda; os sobrenomes e os deboches dos alunos - isso é de somenos importância; sempre haverá um engraçadinho mais inventivo para dar conta do recado, não importa qual seja o nome ou sobrenome do professor. E se não o conseguirem, farão piada com o aspecto físico do mestre, ou com trejeitos supostamente efeminados, etc. O que sim precisa ser controlado, urgentemente, a exemplo do que fazem já os portugueses, são os nomes próprios. Basta correr os olhos pelas listas de jogadores de futebol para tirar dali muitos "bons" exemplos desse mal.

Anónimo disse...

Isso é uma onomástica ou uma infâmia? Dois teimosos nunca se entenderiam...
- Mont.