7.1.11

Selecção vocabular

Franças e Araganças


      «Um ajuste de contas ou uma vingança poderá estar na origem do homicídio de um português de 38 anos, morto a tiro na madrugada de terça-feira em Pierrelaye, Val-d’Oise, nos arredores de Paris. Cerca das 20.00, um grupo de encapuzados entrou no parque da discoteca Pagode, da qual Paulo V. era co-proprietário, deram-lhe um tiro na cabeça e feriram o gerente antes de se colocarem em fuga» («Emigrante português morto a tiro em discoteca», Joana de Belém, Diário de Notícias, 6.01.2011, p. 19).
      «Ajuste de contas» e «vingança» são sinónimos muito próximos. Tanto que não deviam ser assim dados como alternativas. A imprensa francesa interrogava-se: «Jalousie ? Règlement de comptes ?» A jornalista que traduza. Como os homicidas se colocaram em fuga em vez de se terem mais por-tu-gues-men-te (se quero vir a ser presidente da República, tenho de escrever e falar assim) posto em fuga, aposto que vão ser apanhados. Oxalá. Bagnards ! Connards ! Gros beaufs ! Marlous ! Paumés ! Salopards ! Bordel de Nom de Dieu ! E já está, não me lembro de mais nada. Vou deitar-me, que já é tarde. Eh bien. Ficam os meus queridos leitores brasileiros a tomar conta do blogue. A propósito: depois de uma menor afluência na quadra festiva, o blogue está novamente a ter mais de mil visualizações por dia. Por ordem: Portugal, Brasil, Estados Unidos... Até amanhã.

[Post 4288]

24 comentários:

Anónimo disse...

Lembrais-vos decerto do que aqui se disse, há pouco (04.01.2011), das formas do imperativo dos verbos «dizer, fazer, trazer», de que pelo visto gramáticas mais recentes já só trazem «diz, faz, traz», sem referência alguma à formas «dize, faze, traze», nem sequer para as considerar pouco usadas, antigas ou até antiquadas.
Pois depara-se-me isto no «Doutor Fausto», de Thomas Mann, versão de Herbert Caro, «revista para Portugal por José Jacinto da Silva Pereira», Dom Quixote, 4.ª edição, Outubro de 2010 (a 1.ª é de 1987), XXII, p. 262:
«- Pois sim, a dialéctica da liberdade é insondável. Mas, sob o aspecto da criação da harmonia, o compositor dificilmente poderá ser considerado livre. Não ficaria a formação de acordes abandonada ao acaso, ao destino cego?
- Dize mais exactamente à constelação. A dignidade polifónica de cada nota que formar acorde estará garantida pela constelação. Os resultados históricos, o acto de emancipar a dissonância da sua resolução, o carácter absoluto, assumido pela dissonância, o qual já se nos depara em algumas passagens das últimas composições de Wagner, justificarão qualquer combinação de sons que se possa legitimar perante o sistema.»
Dissonante e aberrante é para mim uma gramática limitar-se a indicar como boas ou possíveis só as formas «diz, faz, traz», ou só as formas «dize, faze, traze». Gramática que se preze indicaria umas e outras formas, referindo embora e porventura as particularidades ou peculiaridades que tenham vindo a ocorrer no da cada uma.
Mas ai de quem espera de gramáticas recentes pudor e brio! Logo o desengano frio lhe desfaz ilusão e crença (para o dizer desta vez com João Penha).
Por isso, valham-nos ainda assim alguns revisores mais caturras, sejam eles antibrasileiros ou antiportugueses, para nos irem lembrando certas coisas de vez em quando.
- Montexto

Válter disse...

Há um outro elemento do texto que gostaria de salientar, que é a forma como as horas são apresentadas: 20.00
Penso que esta forma não está normalizada, mas gostaria de saber quais as formas consideradas adequadas, pois começa-se a ver frequentemente uma outra forma que me coloca dúvidas, que é 20.00h
Gostaria de saber a sua opinião.
Obrigado

Anónimo disse...

Pelos vistos, cada jornal inventa a sua forma, e para o inferno com as normas!

Anónimo disse...

Não vos aponquenteis: jornais são jornais, isto é, nesta matéria a última ou, vá lá, a penúltima carta a sair do baralho.
- Mont.

Anónimo disse...

Isto é uma epidemia! A quantidade de jornalistas têm com um caso grave de "coloquite" aguda é preocupante!

Anónimo disse...

Como já se disse noutro local (ver comentários no post intitulado "Economês"), a norma internacional para a escrita de datas e horas é a ISO 8601, segundo a qual deve escrever-se 20:00. A mais recente edição desta norma é de 2004-12-01 e pode ser encontrada na Internet. Mesmo este blogue não segue, pelo menos para as datas, esta norma.

Anónimo disse...

Maravalhas, em comparação desta que ouvi hoje nos noticiários da rádio, Antena 2, referente à morte e obras de Malangatana: «É uma obra que ele inventou por ele próprio.»
Isto articulado por uma boca que, a julgar pela voz, devia contar muitos e bons anos, portanto que deve ter aprendido português no tempo em que ainda se ensinava sintaxe!
Mas a modernidade não perdoa...
- Montexto

Anónimo disse...

Se é bem verdade que a ISO 8601 determina a datação com ano, mês e dia, nessa ordem, há, contudo, que se verificar se não existe outra norma em Portugal que se sobreponha àquela. Digo isso porque no Brasil tal normatização fica a cargo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que já tentou introduzir esse modelo de datação, mas voltou atrás, porque certas mudanças realmente não pegam assim fácil; são séculos de tradição com a ordem vigente. Está ainda em vigor a NBR 5892:1989, que assim dita: "4.1 As datas indicadas numericamente seguem a seguinte ordem: dia, mês e ano(4). 4.2 Os dias e meses são sempre indicados por dois dígitos e os anos por quatro. Exemplo:04.09.1980; 25.04.0910; 06.10.2500; 15.12.1932[...]" E na nota de rodapé n.º 4, assim explica: "A norma ISO-2014/76 recomenda a adoção da seguinte ordem: ano, mês e dia. Na edição anterior da Norma brasileira, adotava-se este critério; entretanto, o uso nacional recomenda o critério agora estabelecido."

Anónimo disse...

A NBR 5982:1989 em questão está disponível em:
Embora devesse ser paga...

Anónimo disse...

Apagaram-me a hiperligação, com razão. Bem, está na Internet para quem tiver interesse e for atrás. Basta um clique no Google.

Em todo caso, isso vale para o Brasil, Quanto a Portugal, fica a questão: que órgão normatiza isso e como o faz com a datação e as horas?

Anónimo disse...

Em Portugal o órgão responsável é o Instituto Português da Qualidade (IPQ). A norma portuguesa em vigor para as datas é a NP-950, de 1984. Esta norma, baseada na norma internacional ISO 2014 de 1976, estabelece a escrita das datas exactamente da mesma forma que a ISO 8601, ou seja, na sequência ano-mês-dia. Logo, a data de hoje (7 de Janeiro de 2011) deve ser escrita na forma 2011-01-07 ou, caso não haja lugar a ambiguidade, 11-01-07.

Anónimo disse...

Quão diferentes das minhas são as penas destas avezinhas!
- Montexto

Anónimo disse...

A mim não me agrada a datação ano-mês-dia para textos em geral; só vejo real vantagem em usá-la quando se tem uma tabela e quer-se organizá-la automaticamente por ordem cronológica. No mais, soa-me a invencionice descabida.

Paulo Araujo disse...

Não sei quanto a Portugal, mas a ABNT é uma empresa, portanto as normas que ela produz são apenas recomendadas, não têm força de lei. Lembro-me das normas para bibliografia que nunca segui, de propósito,pois acho absurdo que se exija o que não é exigível.

Anónimo disse...

Ainda bem que há pássaros da espécie Montexto, e ainda bem que há pássaros de outras espécies! Se assim não fosse, a vida seria deveras insonsa. Chama-se a isto biodiversidade, e tem sido fundamental na nossa evolução. No entanto, parece-me que catalogar como maravalhas os interesses de uma espécie diferente da nossa é, no mínimo, sinal de sobranceria; não será preferível que cada espécie respeite as necessidades das demais?

R.A. disse...

Não era mais interessante que os anónimos adotassem um pseudónimo ou usassem iniciais? Assim sabia-se que certos comentários vertidos neste blogue eram da mesma pessoa e outros de pessoas diferentes.

Helder Guégués disse...

Boa sugestão, caro R. A. Não deixariam de ser anónimos e haveria aqui mais ordem.

Anónimo disse...

Ah, e quanto mais variegadas, e até desvairadas, forem as penas do passaredo, melhor: é preciso de tudo para fazer um mundo, e «em casa de meu Pai há muitas moradas».
- Mont.

Anónimo disse...

Não sei o que os leitores ou comentadores ganhariam com saber se eu me chamo José, João ou Maria.
Mas, por estranho que pareça, do meu exemplo já se deixa ver que não considero a sugestão de R.A. despicienda.
— Mont.

Kupo disse...

De minha parte, prometo adotar um pseudônimo para facilitar-lhes a vida. Tenho visitado o blogue há já um ano e pouco. Assim como Kupo, portanto.

C. Kupo disse...

Onde se lê "assim como Kupo", leia-se "assino como Kupo".

C. Kupo disse...

Ainda sobre a ABNT, é mister esclarecer que, embora empresa privada, ela tem o aval do Governo Federal para normatizar. Em seu sítio, lê-se:
"É uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como único Foro Nacional de Normalização através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de 24.08.1992.
É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização).

A ABNT é a representante oficial no Brasil das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for Standardization), IEC (International Eletrotechnical Comission); e das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização)."

Não se trata, portanto, como se vê, de uma simples empresinha privada brincando de ditar normas.

C. Kupo disse...

A dita Resolução pode ser lida, na íntrega, em < http://www.inmetro.gov.br/legislacao/resc/pdf/RESC000017.pdf > (Esta hiperligação é legal.)

Paulo Araujo disse...

Não disse uma "empresinha", mas uma empresa. Quanto aos fins não lucrativos, até o bom Deus duvida.