7.3.11

«Responder» na voz passiva

Anómalo? Raro? Errado?

      Ribeiro e Castro, ex-eurodeputado, sobre a exclusão do português do sistema comum de registo de patentes: «[…] isso é um direito fundamental de cidadania, como nós sabemos, o direito de nos dirigirmos às instituições da União Europeia e aos seus organismos na nossa própria língua, em qualquer uma das línguas oficiais da União e de sermos respondidos pelos órgãos da administração europeia e pelas instituições europeias também na mesma língua. A nossa ou qualquer das línguas oficiais da União que nós tenhamos usado. Eu tenho o direito de me corresponder em português e ser respondido em português, mas se quiser corresponder-me em finlandês, escrevo em finlandês e sou respondido em finlandês» (Páginas de Português, emissão de ontem).
      O verbo responder admite a construção na voz passiva? Para mim, é novidade.

[Post 4536]

5 comentários:

V. M. Lucas Lindegaard disse...

Não me parece que o problema seja o verbo responder não admitir passiva, mas antes que o sujeito destas passivas corresponde a um complemento indirecto e não a um complemento directo da activa - e isso não pode acontecer em português europeu (em português moçambicano é comum. Creio que responder pode ter passiva, se o sujeito desta for um complemento directo da activa correspondente:
Responderam-[lhe CI] [que tinha razão CD] = Foi-[lhe CI] respondido [que tinha razão SUJ (normalmente posposto)].
Não concorda?

Helder Guégués disse...

Caro Vítor Lindegaard,
Sim, concordo. Eu pretendia referir-me à voz passiva nesta construção.

Paulo Araujo disse...

Corresponder admite, pelo menos na linguagem coloquial; seria uma pista para responder à dúvida?

Anónimo disse...

Só raro, hoje, mas não errado. Exemplos vários em Vieira, e, se bem me lembro, já aqui referi algum de passagem a propósito da transitividade e intransitividade dos verbos, mais variável do que pode parecer ao primeiro lance. E não só o verbo «responder», mas também o verbo «perguntar». Já aqui citei (e cito de novo, mas de memória) o inesquecível passo de Vieira, cuido que do «Sermão de Santo António», pregado na cidade de São Luís do Maranhão, em 1654, o dos peixes: «Perguntado um filósofo qual a melhor terra, respondeu que a mais deserta, porque tem os homens mais longe.» Numa edição recente, a da Biblioteca dos Editores Independentes, salvo erro de designação, anda «Perguntando um filósofo», como se este tivesse perguntado e respondido. É esta a compreensão actual do português, dos textos clássicos e de Vieira, que pelo visto estão errados. Mas os moderníssimos aí estão para os reformar e corrigir.
— Montexto

Anónimo disse...

E o mesmo se diga do verbo «agradar»: as boas obras agradam a Deus, agradam-lhe, e estranhar-se-ia que o agradassem. O Imperador, porém, como já adverti em anterior comento: «Assim imitava a Deus o nosso Príncipe. Aos que mais o serviam, e o agradavam, pagava-lhe com a sua graça» (Morte e Sepultura — Oratória Fúnebre, Figueirinhas, 2009, p. 360).
— Montexto