23.5.06

Estrangeirismo: «parti-pris»

Tomar partido


      Ricardo Costa, no último e nada esclarecedor Prós e Contras, falou de uma jornalista que «partiu para uma entrevista com um parti-pris contra o entrevistado». É verdade que o programa é visto por uma minoria (a maioria que não vê não perde muito), mas nunca minoria se pode confundir com instrução ou compreensão. No meu entender, um jornalista deve falar e escrever para se fazer entender. Se o improviso ou a precipitação o atira para palavras, expressões ou conceitos menos usuais ou claros, deve emendar, elucidar, voltar atrás.


Parti-pris — Já é tempo de devolvermos definitivamente à procedência este inútil galicismo. — Em vez de dizermos, por ex., «ele sempre discute os assuntos com parti-pris», diga-se: «ele sempre discute os assuntos com parcialismo ou com parcialidade, ou com ideias preconcebidas, ou com preconceitos, ou coisa equivalente» (Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem, Rodrigo de Sá Nogueira, Lisboa, Clássica Editora, 4.ª ed., 1995, p. 325.).

3 comentários:

MGomes disse...

Infelizmente há por aí muitos ricardos costas, mas é sempre de louvar a oportunidade do seu post,
por e a bem da língua portuguesa.
Esta a minha primeira visita... e como gostei, volto assim que se puder.

Anónimo disse...

convenhamos que é bem mais fácil e curto dizer "parti pris" do que "idéias pré-concebidas", o "complicómetro" ligado bem à portuguesa. Aportuguese-se então a forma para "partipri" (eheh), como se fez com "dossiê"; poderíamos todos falar em "capa de arquivo com argolas" mas de facto não dá muito jeito.

HFG disse...

vim à net ver o que quer dizer parti-pris pois estou a trabalhar um texto em que isso aparece. Obrigado! (e ao jornalista tb)