6.11.06

Anglicismo: «cópia»

O legendador copista

A romancista espanhola Rosa Montero foi entrevistada por Paula Moura Pinheiro na edição do programa Câmara Clara da última sexta-feira. Quando, a determinada altura, se falou de Herman Melville e dos escassos exemplares que terá vendido do fabuloso Moby Dick, Rosa Montero afirmou que teriam sido «diecisiete ejemplares». O legendador achou que escrever «exemplares» não denotaria todo o esforço que terá feito para fazer a tradução. Logo, vá de escrever que foram «dezassete cópias». Contudo, «cópia», nesta acepção, é um puro anglicismo. Escusado será dizer que alguns dicionários já acolhem este significado — mas por distracção ou falta de critério, decerto.

3 comentários:

Extratexto disse...

Não observo isso como falta de critério, pois apesar de exemplar ser o termo mais comum, ele é claramente um galicismo com menor capacidade de explicação do que é um produto-livro.
Se bem que exemplar nos remeta para o carácter prototípico da obra, também é verdade que não reconhece claramente a função industrial da edição. Uma cópia, por seu turno, e apesar de ser um anglicismo, torna claro o que o livro impresso é: um objecto replicado.

Exemplar será, no máximo, a matriz que o originou.

Unknown disse...

Obviamente não concordo, mas aceito a argumentação.

Anónimo disse...

Anglicismos, galicismos... são inadmissíveis.
A minha batalha preferida é o uso de "passagem" em vez de "passo".