9.1.10

Modificador realizante e chavões

Sim, senhora ministra


      Entrevistada ontem por Mário Crespo na Edição da Noite na Sic Notícias, a ministra da Educação, uma escritora, lançou mão do adjectivo «importante» como uma verdadeira muleta: «Eu trabalhei com ela [Maria de Lourdes Rodrigues, ex-ministra da Educação]. Foi ela que lançou o Plano Nacional de Leitura e senti que tinha condições muito importantes para desenvolver aquele projecto.»
      Mais do que qualificar positivamente as «condições» ou denotar conhecimento da semântica argumentativa de Ducrot, e nomeadamente do modificador realizante, releva antes e simplesmente do pouco à-vontade a falar com os meios de comunicação. E, enfim, uma infausta escolha de vocabulário.

[Post 2995]

2 comentários:

Teresa disse...

E ainda ... No decurso da sua intervenção, a Ministra da Educação usou o termo "complexificou-se". Hmmmm ...

TELMO BÉRTOLO disse...

Não me parece ter sido a única falha da ministra da Educação. Utilizou várias vezes o verbo 'ter' seguido de 'que', com sentido de obrigatoriedade, quando deveria ter utilizado o verbo 'ter' seguido pela preposição 'de'. Ouvi Isabel Vilar afirmar na RTP 2, no passado dia 30 de Dezembro: «[Progride]se tem vaga, se não tem vaga, tem de esperar.» A uma ministra da Educação, que foi também professora de Língua Portuguesa, ficam-lhe mal tais falhas.
Acrescento que não tenho ouvido falar um português sem mácula aos vários ministros que têm abraçado a pasta da Educação. Se o exemplo não vier de cima...