6.12.10

Falsos cognatos

Reincidência


      O leitor Francisco Agarez chamou-me a atenção para este trecho de um artigo do Diário de Notícias de ontem: «Independentemente do que isso, a ser verdade, diz sobre a relação de Assange com a liberdade de imprensa e o seu apego à transparência, teremos de concluir que os outros jornais, os escolhidos, podem ter sido mais lenientes com Assange?» («Os famosos cinco jornais e a aventura da WikiLeaks», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 5.12.2010).
      Parece português e do melhor, mas não é: — leniente é má tradução do inglês lenient. Este significa «brando», que é o que a jornalista pretendia dizer. Em português, «leniente», ou «lenitivo», diz-se do que suaviza ou acalma. Já vimos aqui que esta jornalista é muito atreita a usar anglicismos, o que só lhe deslustra os textos. Por quem é, deixe-se disso.

[Post 4161]

1 comentário:

Anónimo disse...

Nestes transes lembremos o sentimento dos mestres:
«O mau português principia a sê-lo desde que mareia a pureza da sua Língua», Camilo Castelo Branco;
«Desagradecidos portugueses e desnaturais são os que, por desculparem sua negligência, culpam a pobreza da Língua», D. António Pinheiro, bispo de Leiria: apud I. Xavier Fernandes, Questões de Língua Pátria, vol. II, epígrafes.
— Montexto