6.4.11

Tradução

Jamais

      Outra forma irritante de traduzir. «What’s your best guess?» Canja: «Qual a sua melhor aposta?» Só uma pergunta: algum português fala desta maneira enviesada? Tenham mas é juízo.

[Post 4658]


15 comentários:

Bic Laranja disse...

Não fala mais vai passar a falar, que julga?...
Cumpts.

R.A. disse...

"Qual é o seu palpite?" "Que lhe parece?" "Tem uma hipótese melhor?" - seriam boas traduções, não?

Bic: tenho quase a certeza que muitos tradutores leem este blogue. Prefiro que seja pedagógico a que seja catastrofista.

Anónimo disse...

A sensatez de R. A. merece o prémio de ser referida.

Paulo Araujo disse...

"O que você acha?"
O 'mas' pode ser gralha de digitação; quanto a 'mais' é ironia pura.

Bic Laranja disse...

O primeiro ministro (ou primeiro-ministro, alguns defendem, mas nunca presidente-do-conselho) cuida que tapar o Sol com a peneira também é pedagógico, que julga?!...

Anónimo disse...

Deve ser por estas e por outras que Roger Martin du Gard sentia que «Ah! ce texte, il vous hypnotise; on ne fait de bonne traduction qu'en ignorant la langue étrangère, aidé de quelqu’un qui vou donne la matière brute» («Les Cahiers de la Petite Dame» antologia da Folio, 2006, p. 290). Que era exactamente como fazia o tal grande tradutor chinês de que fala Simon Leys, já aqui citado, dizendo que por exemplo Dickens e Dumas Filho ainda melhoraram na versão chinesa. Enfim, mil e um mistérios, para me servir do título de Castilho (outro grande tradutor. Bem lhe podiam publicar de novo as «Geórgicas»...)
— Montexto

Eduardo disse...

Castilho, que escreveu uma versão portuguesa (dizia ele que «traduzira»...) do «Fausto» sem saber uma palavra de alemão.

Foi a época gloriosa das «belles infidèles» - monumentos de vernáculo, que, se estropiavam o fundo, brilhavam na forma.

Venha Mefistófeles e escolha.

Anónimo disse...

Sim, no Fausto, Castilho fez como o tal chim que traduziu cerca de quatrocentas e tal obras ocidentais para o mais puro chinês, sem pescar de línguas europeias. Para o Fausto, estamos bem servidos com a versão de Agostinho de Ornellas, e ultimamente com a de João Barrento, em verso com metro e rima. E quem ler a de Castilho também não perderá o seu tempo; este cego ilustre abre-nos continuamente os olhos para os «mil e um mistérios» e maravilhas do português. Mas a sua versão das «Geórgicas» é obviamente do latim. Infelizmente, não há maneira de me chegar à mão...
— Mont.

Eduardo disse...

Caro Montexto:

entre os 50 e os 165 Reais (~21,00 € e ~71,00 €), encontra-o aqui:

http://www.estantevirtual.com.br/qau/antonio-feliciano-de-castilho/2

Com um bocado de sorte, no (ou «na»?) e-Bay...

Kupo disse...

Inclua-se na conta o preço do frete, que não deve ser nada barato do Brasil a Portugal.

Eduardo disse...

Não deve ser barato, não. No entanto, ao que julgo saber, alguns dos leitores deste espaço residem no Brasil. Penso que se poderá arranjar uma solução interessante para o problema.

Mas isto sou eu a falar. Deus me livre de querer meter a foice em seara alheia.

Anónimo disse...

Obrigado, caro Eduardo, vou tomar nota.
Precisávamos de uma colecção de clássicos a sério, qual a da Plêiade francesa (ou a da Folio), Gredos espanhola ou uma inglesa cujo nome agora não me ocorre. É uma das nossas maiores lacunas.
— Mont.

R.A. disse...

A Universidade de Aveiro tem, em http://www2.dlc.ua.pt/castilho/, obras de Castilho.
Em http://www.gutenberg.org/browse/languages/pt também se encontra alguma coisa para ler ser cheirar e sentir o papel.
Mas as "Geórgicas" não encontrei.

Anónimo disse...

Obrigado, R.A. Vou dar uma olhadela.
— Montexto

Eduardo disse...

Deve querer referir-se à «Penguin», caro Montexto.

Tem razão quanto à lacuna que aponta. Mas num país onde a leitura se fica pelas capas das gazetas desportivas e os números dos autocarros... e onde um grupo editorial condenou milhares de livros à reciclagem (leia-se «destruição»)... está tudo dito.

D. Fr. Manuel do Cenáculo ocupa o espaço de dez «Maria» ou duas «stilwelladas» da última safra. Assim não há Fnac que aguente...