24.2.09

Gentílicos depreciativos

Imagem: http://www.sanfranciscosentinel.com/

É só adaptar?


      O príncipe Harry de Inglaterra fez outra vez disparate, e agora tem de frequentar um curso de antixenofobia das Forças Armadas britânicas. Na última Pública lê-se: «A decisão surgiu depois de Harry se ter referido a um colega paquistanês como “paqui”, comentário xenófobo que foi imediatamente reprovado pelo exército inglês» («Princípe na escola», 22.02.2009, p. 6). Bem, não foi bem «paqui», mas «Paki», porque se trata de uma adaptação. «Our little Paki friend», terá dito o príncipe. Para as traduções, decerto que precisamos de termos correspondentes, e nem sempre os temos. Já aqui lembrei o caso de «Jap». Recentemente, um leitor perguntou-me como traduzir «spic» e «whitey». Não é fácil, pois esses termos depreciativos do inglês decorrem de uma realidade social que não é a nossa. Mas temos correspondente para «nigger», por exemplo. Na verdade, até temos um termo meio jocoso, meio depreciativo para designar um paquistanês, ou pelo menos um certo paquistanês: kefrô. Em rigor, pelo jogo linguístico subjacente, é intraduzível para inglês. Como intraduzível é o inglês «Paki».

2 comentários:

Pedro disse...

Numa legendagem, em que não é possível apresentar notas nem explicações, utilizaria a palavra "monhé". Parece-me o termo mais próximo de Paki.

Helder Guégués disse...

Bem lembrado, caro Pedro.