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6.4.11

Omissão da preposição

Concisa e desembaraçada

      O leitor A. S. pergunta-me se não se deveria omitir a preposição em na seguinte frase: «Publica-se em todos os dias úteis.» Não: podia apenas. «Publica-se todos os dias úteis.» Leia-se o que escreveu Domingos Cegalla: «Do mesmo modo: uma noite que êle me visitou por numa noite em que êle me visitou; o dia que não a vejo em vez de no dia em que não a vejo; a última vez que viajei em lugar de na última vez em que viajei. A omissão da preposição em, nestas e noutras locuções temporais, torna a linguagem concisa e desembaraçada» (Novíssima Antologia da Língua Portuguêsa. Rio de Janeiro: J. Ozon Edição, 1964, p. 229).

[Post 4662]

28.3.11

Particípios em «-e»

Said Ali

      E dizemos nós. «Assim observamos junto do particípio normal entregado o concorrente terrível entregue. Já o seu aspecto externo nos surpreende. Exceptuada a palavra livre — um adjetivo que também faz de particípio — não sabemos de outro exemplo de forma participial em –e em todo o português literário desde o seu comêço até o fim da era seiscentista, e ainda mais tarde» (Dificuldades da Língua Portuguêsa, M. Said Ali. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 6.ª ed.,1966, p. 128).

[Post 4625]


22.3.11

«De debaixo», de novo

Para ficar bem assente

      Já aqui vimos esta questão. A repetição serve somente para mostrar que, sempre que é usado um verbo de movimento, pelo menos a dúvida não deixa de aflorar a mente de quem escreve: «“Tirar de baixo” ou “tirar de debaixo”?» E nada disto é novo.
      «Pegou nela e pôs-se a embalá-la, cantarolando na sua linguagem. A Didi retirou a cabeça de debaixo da asa e olhou para o macaco. Quando o viu a embalar a garrafa, ficou cheia de ciúmes e zangada» (A Aventura no Barco, Enid Blyton. Tradução de Maria Helena Mendes. Lisboa: Editora Meridiano, Limitada, 1969, p. 67-68). «— Onde está o barco? — disse João, olhando em volta. Não o viram. Só quando retiraram o Micky de debaixo da cama e que encontraram o barco. Ele não o tinha estragado. Apanhou três valentes acoites e a Didi três palmadas no bico» (idem, ibidem, p. 68). «Um ruído suspendeu-lhe de repente os pensamentos. Pousou o cachimbo e levantou-se, uma figura silenciosa, mesmo junto da coluna quebrada. Escutou. O ruído vinha de debaixo do chão, tinha a certeza» (idem, ibidem, pp. 201-2). «À noite, o Estrela dos Mares voltou a partir. Nem Jaime nem qualquer dos pequenos ouviu as máquinas começarem a trabalhar. A Didi acordou, retirou a cabeça de debaixo da asa e voltou a encolher-se» (idem, ibidem, p. 226).

[Post 4597]

19.3.11

«Se não/senão»

Os maiores e os menores

      Ora digam-me lá quem sabe escrever.
      «Quando o regimento mudou, e os deputados (da oposição, claro) adquiriram alguma iniciativa, Sócrates adoptou a regra de não responder às perguntas que não lhe convinham (dezenas, se não centenas delas). Quanto à populaça, como se sabe, nem se deu ao trabalho de revelar o estado do país, nem de explicar o que andava a fazer» («Agarrado ao poder?», Vasco Pulido Valente, Público, 19.03.2011, p. 48).
«Se a previsão não falhar, virão aí algumas dezenas, senão centenas de milhares de portugueses — os franceses de torna-viagem» (Os Apontamentos: Crónicas Políticas, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 1998, p. 24).
«Os totalmente convertidos que se baptizaram e fizeram cristãos, não só se contaram a milhares, senão a milhões» (Sermões, P. António Vieira. Lisboa: Lello & Irmão, 1959, p. 391).


[Post 4586]

10.3.11

«Crer/querer»

Não quero crer

      No laboratório, de novo. «Os partidos com assento parlamentar criam queriam apresentar soluções pró-populares.» «Muitos alunos», defendeu a professora, «cometem este erro, talvez por serem palavras como que parónimas.» «Como que»? Então não há uma categoria específica em que encaixá-las? São muito mais, a avaliar pelo que vejo, os que consideram este mesmo par, crer/querer, como palavras parónimas do que aqueles que as dizem  homófonas. Eu aprendi que, se a pronúncia não for contrafeita, forçada, antinatural, são palavras homófonas. Não faltam, porém, manuais escolares, como este, que ensinam que são parónimas. Crer e querer têm grafia semelhante? Tem a palavra o leitor.

[Post 4546]


2.3.11

Formação de palavras

De Berlim ou de Bruxelas

      Quer escrevamos «bola-de-berlim» ou «bola de Berlim», o processo de formação de palavras é o mesmo: por justaposição. A língua tem, como se sabe, vários processos de formação de palavras, mas os mais gerais são a aglutinação e a justaposição. Actualmente, com o Dicionário Terminológico (DT), fala-se em composição morfológica (processo de composição que associa um radical a outro(s) radical(is) ou a uma ou mais palavras», na definição do DT) e em composição morfossintáctica (processo de composição que associa duas ou mais palavras», também na definição do DT). Se consultarmos o DT, vemos que entre os escassos exemplos deste último processo de formação se encontra «via láctea». Sem hífen. A presença ou ausência de hífen não interfere na definição destes compostos como sendo por justaposição. Por outro lado, não é pela mera presença de um topónimo (qualquer que seja a grafia adoptada, «bola-de-berlim» ou «bola de Berlim», que podemos afirmar que estamos perante o processo de derivação imprópria, de que já aqui falei bastas vezes.


[Post 4506]

26.2.11

E/mas

Conjunções infelizes

      «Kilbourne, nascido a 10 de Julho de 1920 nos EUA, reformou-se com 80 anos, mas dedicou grande parte da vida profissional a estudar as doenças infecciosas» («Uma vida a desenvolver novas vacinas contra a gripe», H. R., Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 57).
      O e pode ter valor adversativo; o mas nunca indica conexão ou adição.

[Post 4495]

11.2.11

«Tirar debaixo»?

Pergunto

      «O rapaz tirou o pé debaixo do lençol e examinou os dedos. Mas não conhecia os sintomas necessários para se justificar» (As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain. Tradução de Berta Mendes. Lisboa: Editorial Inquérito, 1944, p. 62).
      «Tirou o pé debaixo do lençol» ou «de debaixo»? João Ferreira de Almeida, o tradutor da Bíblia: «Todavia os Edomitas se revoltaram de debaixo do mando de Judá, até o dia de hoje; então no mesmo tempo Libna se revoltou de debaixo de seu mando: porque deixara a Jeová, Deus de seus pais» (2 Cr 21,10). Usamos, para expressar esta ideia, a preposição, repetindo-a (de+baixo)?

[Post 4427]

27.1.11

Uso do gerúndio

Maior vernaculidade


      Tratava-se de traduzir a seguinte frase em francês: «Le chrétien croit à un Dieu possédant toutes les perfections.» Respondeu Augusto Moreno na obra Lições de Linguagem, vol. 1 (Porto: Editora Educação Nacional, 1937, pp. 94-95): «É que o nosso gerúndio não traduz bem, em regra, o particípio presente francês. O nosso gerúndio nunca deve ser meramente qualificativo: tem sempre alguma coisa de circunstancial. O possédant devia traduzi-lo por uma oração relativa. Assim: “Crê o cristão num só Deus, que possue todas as perfeições.” Repare também em que o verbo antes do sujeito, ao contrário do estilo francês, é característico da melhor vernaculidade. Quando a clareza e harmonia se não oponham à inversão, é claro.»

[Post 4369]

21.1.11

Sintaxe: «valer a pena»

Na volta do correio


      «O mundo dos livros, depois da Amazon (e da maravilhosa Book Depository, que não cobra o correio), passou a ser uma imensidão com muito mais livros, mas muito menos livros (que nunca foram muitos) que valem a pena ler» («O mundo dos livros», Miguel Esteves Cardoso, Público, 21.01.2011, p. 41).
      O que é que vale a pena — os livros ou ler? E eu preferia que a maravilhosa Book Depository não cobrasse os portes.

[Post 4342]

«Aquando da», de novo

Esforcem-se um pouco


      Pode ler-se aqui que, «aquando da sua apresentação pessoal à presidência que havia tomado posse», etc. Nem à mão de Deus-Padre devemos escrever assim. Já aqui falámos noutras ocasiões desta malfadada locução prepositiva. Apesar de usada por alguns, poucos, escritores, já aqui o afirmei, e de estar registada no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves, é de evitar. Epifânio preveniu que há barbarismo tanto na construção «quando da» como em «aquando da», mas que era requintado nesta última. Para ser correcta, a frase em cima havia de construir-se assim: «Quando foi a sua apresentação pessoal à presidência que havia tomado posse», etc. Augusto Moreno vê influência e má adaptação do francês lors de. Depois de se ter começado a admitir o uso de quando foi da, que se abreviou em quando da, em algum momento infeliz se chegou à construção abstrusa aquando da. Que caiu no goto de muita gente, incluindo revisores.

[Post 4341]

20.1.11

«Se» apassivante

Das que são vistas


      «Dois reclusos não o eram tanto como se pensava. Estavam numa carrinha celular à porta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, ambos com algemas. Estas pareciam — duas argolas, aço — das que se vê nos filmes, um tipo preso às barras da cama, ela aproveitando-se para se ir embora com a carteira dele, ele desesperado e impotente, sem poder desprender-se das tais algemas. As dos dois citados reclusos pareciam destas mas não eram.» («Entretanto, no dia-a-dia», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 20.01.2011, p. 64).
      Prefiro a construção em que o se é partícula apassivante, levando o verbo para o plural, a concordar com o sujeito: «das que se vêem nos filmes»/«das que são vistas nos filmes».

[Post 4339]

15.1.11

«Meio», advérbio

Sem meias-tintas


      «Uma anciã de noventa anos já meia cega, que não tivesse lá estado, tê-lo-ia “reconhecido inequivocamente”» (Crimes, Ferdinand von Schirach. Tradução de João Bouza da Costa e revisão de Clara Boléo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, p. 65).
      Como a anciã teria, como é normal num ser humano, dois olhos, poderia ser «meia cega», sim, ou seja, cega de um olho. Contudo, correcto é meio cego(a), isto é, «mais ou menos cego(a)», «com problemas de visão». Via mal dos dois olhos. Meio é ali advérbio, é invariável. É ignorância, porque a norma moderna é diversa, mas já alguém virá afirmar que nos clássicos era assim e que não se deve dizer de outro modo. Lá se avenha... Podíamos referir o exemplo clássico, de Camões, «uns caem meios mortos». Vamos antes para um exemplo de D. Francisco Manuel de Melo, na Carta de Guia de Casados: «O homem que casa com mulher de pouca idade, leva a demanda meia vencida.» Meia está a modificar um adjectivo/particípio, logo, é um advérbio, é invariável. Queremos, à fina força, que «meia» fique na frase? Pois bem, ei-la: «O homem que casa com mulher de pouca idade, leva meia demanda vencida.»

[Post 4324]

9.1.11

Aonde/onde/donde

Por onde vais?


      A distinção onde/aonde/donde (deixo adonde de fora) pertence apenas à norma culta da língua e tem poucos anos. E, com tantos amadores, nem todos os revisores, como já aqui vimos mais de uma vez, a fazem respeitar, como seria aconselhável. Aonde quase desapareceu. Quanto a donde, os ignorantes, julgando-o incorrecto, desfazem-lhe sempre a contracção e ficam a preposição e o advérbio em evidência (no Brasil, porém, prefere-se a locução). Até tenho dúvidas de que os professores de Português usem e ensinem afoitamente as três formas do advérbio. Nos clássicos, também não se observava a referida distinção, donde a língua evoluiu. D. Francisco Manuel de Melo, na Carta de Guia de Casados: «Não se vê o bom alfaiate donde há muito pano, nem o bom cocheiro nas ruas largas.» Nesta obra, por exemplo, há 39 ocorrências de «donde», 4 de «onde» e nenhuma de «aonde».

[Post 4298]

25.12.10

«Face a»

Perante isto...


      Quatro homens armados, vestidos com fatos-de-macaco pretos e com máscaras carnavalescas, assaltaram há dias o hotel Tiara Park Atlantic. Queriam, mal informados, assaltar uma ourivesaria que ali existia, e por isso iam munidos de uma marreta. Contentaram-se então com a máquina registadora do restaurante do hotel e com o cofre da recepção. Trocos, decerto, para quem queria levar mãos-cheias de ouro. Escreve o jornalista: «Face à informação[,] um dos suspeitos saltou o balcão da recepção e já no interior do espaço apontou a arma de fogo [a] um dos dois funcionários que estavam na altura no local e exigiu que este lhe entregasse dinheiro» («Assalto armado a hotel de luxo», Susana Otão, Jornal de Notícias, 17.12.2010, p. 14). Sim, está mal escrito, mal pontuado, mas só queria realçar este aspecto: João de Araújo Correia, e outros cultores da língua, iria espumar com aquele «face à», mas quem é que hoje em dia sabe que é calinada em vez de «perante»?

[Post 4229]

24.12.10

Dequeísmo

Só o título


      «PJ suspeitou de que Evaristo fosse traficante» (Miguel Ferreira, Diário de Notícias, 23.11.2010, p. 23).
      Vê-se este erro também nos livros, mas na imprensa, pela ignorância catalisada pela pressa, é muito mais encontradiço. É até erro com nome: dequeísmo. O verbo suspeitar, à semelhança de outros, só se constrói com complemento oblíquo ou preposicionado quando encerra um grupo nominal («suspeito dos seus conhecimentos gramaticais»), mas já não é assim quando ocorre com uma completiva, como no caso acima: PJ suspeitou que Evaristo fosse traficante.

[Post 4222]

26.11.10

Gramática

Nada mudará


      «Então, lacrado o sobrescrito, e definitivamente, o afamado homem de Letras confiou-lho, depois de muito e muito recomendar que por nadíssima deste mundo o perdesse, porque seria uma pena» (Tiros de Espingarda, Tomaz de Figueiredo. Lisboa: Editorial Verbo, 1966, p. 213).
      Deviam as gramáticas mudar só porque um escritor (dez, cem) acrescenta o sufixo -íssimo a um substantivo em vez de a um adjectivo? De modo nenhum. Coisíssima nenhuma.

[Post 4128]

25.6.10

Predicativo do complemento directo

Já que perguntam


      Em relação às provas nacionais, este ano só me perguntaram (e foi uma professora) qual a resposta à questão 4.1. do Grupo II da prova de Língua Portuguesa do 9.º ano, sobre a função sintáctica da expressão destacada na frase: «Os ornitólogos consideram a garça-vermelha uma ave sensível.» «Predicativo do complemento directo», respondi. Considerar, a par de outros verbos, como achar, declarar, nomear, ter por (e como), é um verbo triádico ou de três lugares: alguém considera algo alguma coisa. Ou seja, sujeito, complemento directo e predicativo do complemento directo. Neste caso, o predicativo do complemento directo é um substantivo + um adjectivo, mas podia ser só um substantivo ou só um adjectivo. A frase é passível de ser substituída por uma frase subordinada finita: «Os ornitólogos consideram que a garça-vermelha é uma ave sensível.» Tenho sérias dúvidas que a maioria dos jovens professores de Português domine estas questões gramaticais da predicação complexa.

[Post 3625]

12.4.09

Conjunção subordinativa final

A golpes de gládio


      Na obra que citei no texto anterior, escreve Fernando Cabral Martins: «O primeiro verso saiu na 1.ª edição, lição que é recebida na edição crítica de José Augusto Seabra, assim: “Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça”. Segundo a mesma edição crítica, este “porque” teria uma “função de conjunção final” (28). O facto é que só pode ter essa função se tiver a forma disjunta “por que”. Isto mesmo leu David Mourão-Ferreira, que escreve o verso desse modo — aqui seguido. No espólio, há um dactiloscrito (121-2) em que o verso tem esta mesma forma» (pp. 98-99). Celso Cunha e Lindley Cintra não sancionam a crítica do autor, pois entre as conjunções e as locuções conjuncionais subordinativas finais enumeram: para que, a fim de que, porque (Nova Gramática do Português Contemporâneo. 3.ª ed., 1986, p. 582). Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa. 37.ª ed. Rio de Janeiro, 2002, p. 328) diz precisamente o mesmo.


9.4.09

Substantivos sigmáticos

E se eles não sabem?...



      «Marguerite, a baronesa de Reuter, a última sobrevivente da família que fundou a agência internacional de notícias Reuters, faleceu ontem, aos 96 anos, num lar de idosos francês na fronteira com o Mónaco. Mecena das artes, Marguerite era viúva de Oliver, quarto barão de Reuter, cujo avô Paul Julius Reuter fundou a agência» («Baronesa de Reuter morre em França», Diário de Notícias, 26.01.2009, p. 56).
      Pode ser gralha, sim, mas quem sabe? O substantivo assinalado é sigmático, isto é, termina em s, como lápis, pires, ténis. Conceito diferente dos pluralia tantum, de que já aqui falei uma vez, que são palavras usadas apenas no plural, como afazeres, algemas, alvíssaras, anais, antolhos, armas (brasão), arras, arredores, avós (antepassados), belas-artes, belas-letras, calças, calendas, cãs, cócegas, confins, costas, endoenças, esponsais, exéquias, férias, fezes, hemorróidas, idos, maiores (antepassados), matinas, núpcias, óculos, olheiras, parabéns, penates, pêsames, primícias, suíças, trevas, vísceras, víveres… Como também há os singularia tantum, palavras usadas apenas no singular, como sucede com as palavras que expressam ciências e artes (arquitectura, pintura), os nomes dos minerais (ouro, prata), o nome de produtos animais ou vegetais (leite, manteiga), o nome das virtudes ou vícios (caridade, malvadez), o nome de substâncias inorgânicas (azoto, oxigénio), os nomes abstractos (brancura, nobreza), alguns colectivos (prole, plebe), etc.