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6.5.11

Como se escreve nos jornais

E por falar em triunvirato

      «O discurso de Sócrates na terça-feira sobre o acordo com o triunvirato BCE-FEEF-FMI teve um carácter absolutamente singular na história da comunicação política portuguesa, porventura mundial e até histórica» («Inovação retórica: inventar para desmentir», Eduardo Cintra Torres, «P2»/Público, 6.05.2011, p. 12).
      Sim, percebo, mas não é por estar bem escrito — porque está malissimamente escrito. Muita «história». E o triunvirato não é BCE-CE-FMI?

[Post 4751]

30.4.11

Como se escreve nos jornais

O do triunvirato

      «O anúncio do grupo francês surgiu a poucas horas do início da cimeira bilateral entre a Itália e a França, em Roma, que promete ficar ensombrada por esta jogada gaulesa nada desejada pelo Governo romano» («Lactalis lança OPA à Parmalat para reagir a lei de Berlusconi», Carla Aguiar, Diário de Notícias, 27.04.2011, p. 34).
      «Governo romano»: pensamos logo em Marco António, em Lépido e em Octávio, por exemplo. É uma figura de estilo, bem sei, mas vai a par do uso imoderado do termo «luso» na imprensa gratuita. «Jogada gaulesa» é outro produto do excesso de imaginação.

[Post 4736]

31.3.11

Como se escreve nos jornais

Mas não sai

      Na redacção. Não são dos piores. Mas uma jornalista escreveu que «Nuno Alves Pereira levou a sua hoste para a Herdade dos Atoleiros, 2,5 km a sul de Fronteira». E, como escreveu duas vezes o nome daquela maneira, decerto que pensará que é assim mesmo. Nun’Álvares Pereira, vamos lá usar até o apóstrofo. Não são dos piores, mas a pontuação? Mais um estágio no Inferno. Ou no Paraíso?

[Post 4638]

27.3.11

Como se escreve nos jornais

Escreve-se mal

      «As eleições nos estados federados de Estugarda e Mainz são a terceira e quarta de um superano eleitoral na Alemanha, que começou com Hamburgo (e uma pesada derrota da CDU) e que terminará em Berlim (onde se prevê um duelo entre SPD e Verdes). Estas eleições são importantes» («A quarta eleição do superano eleitoral», Maria João Guimarães, Público, 27.03.2011, p. 16).
      Não é à primeira — nem talvez à quarta — que o leitor desprevenido consegue atingir o estratosférico pensamento da jornalista. Primeiro pensei que fosse uma tentativa (frustrada, a avaliar pela dificuldade em interpretar) de aportuguesar um vocábulo alemão. Ah!, é o prefixo super + o substantivo ano. Ah... Parece uma charada. Soberano? Soprano? Gostava de saber o que José Queirós, o provedor do leitor do Público, diz desta palhaçada.

[Post 4621]

25.3.11

«Khadafi/Kadhafi»

Se forem coerentes

      «Depois de terem atacado posições de Khadafi na estrada que liga Ajdabiya a Bengasi — cidade-berço da revolta que estava sob cerco quando a operação internacional começou, sábado —, assim como bases militares ao longo da costa, os aviões estrangeiros concentraram-se nos últimos dias em Misurata, tentando impedir o coronel de ali fazer chegar reforços» («França abate avião de Khadafi em Misurata», Sofia Lorena, Público, 25.03.2011, p. 19).
      Não, não vou tecer mais comentários em relação a «cidade-berço». Que se enxerguem. Sobre o nome do ditador líbio, sim. No Público, é Khadafi. No Diário de Notícias, é Kadhafi. Está tudo bem, desde que escrevam sempre da mesma forma. Também pode escrever-se Cadáfi, Kadafi, Gadhafi, al-Khaddafi, al-Qadhafial-Khadafi...
      Multímodo, multifário, como o próprio homem.

[Post 4610]

24.3.11

Léxico: «acantonar»

Quem se queima que assopre

      Garrett usou assossegar; Herculano, Camilo, Antero de Figueiredo e outros usaram também assossegar e asserenar, lançando mão de um recurso, a próstese, de origem claramente popular. No adagiário não faltam estes verbos, e sobretudo assoprar. Jorge Mourinha, na sua crónica de hoje no Público, no que me parece uma espécie de hipercorrecção (outros virão atrás de mim increpar-me a complacência), usou o verbo «cantonar»: «E falar dele [Artur Agostinho] como “homem da rádio”, como alguns noticiários fizeram, equivale a cantoná-lo num papel que, se foi o mais importante da sua carreira, foi apenas uma parte dele — e, ironicamente, a parte que menos dirá a muitos daqueles que hoje se recordam dele das novelas ou dos talk-shows onde era convidado regular» («Artur Agostinho», «P2»/Público, 24.03.2011, p. 10). (Quanto à substância da crónica, se é que pode descortinar algo remotamente parecido, pode ser resumida no último parágrafo: «Mas é significativo que tanto Júlia Pinheiro como Jorge Gabriel estivessem verdadeiramente emocionados ao encerrarem as suas emissões da manhã de terça-feira: isso diz mais sobre Artur Agostinho do que dezenas de obituários.»)
      Em espanhol, sim, existe o verbo cantonar, que significa o mesmo que o nosso «acantonar» (e acantoar, variante). Quanto às formas prostéticas, não faltam, mormente na oralidade: alevantar, amostrar, alimpar, abaixar... E, imorredoiro, aquase.


[Post 4608]

12.3.11

Uso do latim

De pé atrás

      Abel Coelho de Morais traçou hoje, no Diário de Notícias, o perfil (mais um termo com uma definição deficiente no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa) de Jacques Chirac. Eis um excerto: «Noutra ocasião, menosprezou a gastronomia britânica ao dizer que um povo que cozinha assim “não é de confiar”. O que, cum grano salis, não deixa de ter algum fundo de verdade» («Um presidente francês sem vergonha nem glória», Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias, 12.03.2011, p. 44).
      Posso estar a avaliar mal, mas creio que o jornalista apenas quis alardear que conhece uma expressão latina, mas saiu-se mal. Cum grano salis traduz-se, literalmente, por «com um grão de sal». Dito por outras palavras, significa que se deve temperar o que alguém disse ou escreveu, porque revela um exagero de qualquer natureza. Ou seja, sem ser falso, é conveniente que seja visto com algumas reticências. Aderir, da forma que o jornalista o fez — «não deixa de ter algum fundo de verdade» — mesmo que com tais arrevesadas cautelas, à afirmação de Chirac é inconcebível. 

[Post 4554]

23.2.11

Selecção vocabular

Ao calhas

      «No processo, segundo o DN apurou, consta que os três disparos ficaram registados na comunicação rádio da polícia antes da chamada para o 112. Nessa gravação audio [sic] ouve-se um primeiro disparo seguido de outros dois seguidos (o que corrobora o que o arguido contou agora em tribunal)» («“Não sou maluco para andar aos tiros ao calhas”», Rute Coelho, Diário de Notícias, 23.02.2011, p. 19).
      «Um primeiro disparo seguido de outros dois seguidos», escreveu o jornalista, como se não houvesse sinónimos nem paciência para escrever melhor. «Comunicação rádio» também é assaz estranho.


[Post 4482]

17.2.11

«Palavra de ordem», de novo

Mesmo entoada

      Muito bem: palavra de ordem vem do francês mot d’ordre e, já que não vivemos sem a expressão (lema ou divisa traduzirão bem a ideia contida na locução francesa?), pelo menos que se use adequadamente: «Estava marcada para se iniciar hoje a campanha “os dias da raiva”, movimento de contestação ao regime de Muammar Kadhafi, mas começou já ontem com milhares de líbios a saírem às ruas de Bengasi, entoando palavras de ordem que deixam pouco espaço para dúvidas sobre o sentimento popular neste país do Magrebe» («Começam ‘os dias da raiva’ contra o regime de Kadhafi», Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias, 17.02.2011, p. 25). E lá está o gerúndio, como aqui...

[Post 4449]

16.2.11

Como se escreve nos jornais

Mexerufada

      «A receita da Coca-Cola foi ontem revelada por um programa de rádio norte-americano e nela podemos encontrar ingredientes que, curiosamente, poderiam fazer parte de qualquer prato da culinária nacional. Além destes, o sabor (até agora) secreto, chamado de “7X”, leva óleos de laranja, limão e noz moscada, além do óleo de néroli, produzido a partir das flores de laranjeira Bergamota» («O segredo da ‘Coca-Cola’ vazou na Internet», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 16.02.2011, p. 18).
      No artigo diz-se que John Pemberton foi o inventor da Coca-Cola, uma «bebida alcoólica intelectual e medicinal». (Há-de ser isto.) Na coluna da esquerda, lemos que Pemberton nasceu na Geórgia; na coluna da direita, lê-se duas vezes Jórgia. E mais: John Pemberton «sobreviveu à Guerra Civil Americana com uma adição à morfina». Quanto a «néroli»: é o nome comercial do óleo extraído de flores de laranjeira. Nem todos os dicionários acolhem o vocábulo.

[Post 4442]

9.2.11

Como se escreve nos jornais

Decida-se

      «A equipa, que foi coordenada por Alexandra Houssaye, do Museu de História Natural de Paris, contou também com a colaboração de investigadores do sincrotrão europeu, o European Sychrotron Radiation Facility, instalado em Grenoble, onde as imagens de raios X foram realizadas, e do Karlsruhe Institute of Technology, na Alemanha, onde as imagens foram estudadas» («Cobras primitivas tinham pernas», Filomena Naves, Diário de Notícias, 9.02.2011, p. 31).
      Antecipei-me em meses, peço desculpa: eu já tinha dito à minha filha que dantes as cobras tinham pernas. (Espero que não me escorracem da comunidade científica.) Agora aquela equipa veio demonstrá-lo. Bem, mas isso agora não interessa. Parece-me que a jornalista se enganou: Alexandra Houssaye é do National Museum of Natural History. Ah, não é essa a regra, escrever tudo em inglês? Não? Sendo assim, melhor se diria que a outra instituição era o Instituto de Tecnologia de Karlsruhe. Ou, então, tudo nas respectivas línguas: Muséum National dHistoire Naturelle e Karlsruher Institut für Technologie.

[Post 4419]

7.2.11

Como se escreve nos jornais

É chinês


      A Liga dos Chineses em Portugal (LCP) apoiou, lembram-se de o ter dito aqui?, Cavaco Silva. Pois agora, numa notícia sobre o agiota chinês que sequestrou uma mulher, lia-se isto na edição de ontem do Diário de Notícias: «Mas o presidente da Associação China Única, Y Pong Chow, desmentiu ao DN a existência de máfias chinesas a operar em Portugal» («Chinês já estava referenciado por agiotagem há 15 anos», Joaquim Gomes, Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 23). Não apenas o nome da associação não está certo, mas, pior ainda, o nome do próprio presidente da associação, e aparece três vezes no artigo. E era facílimo comprovar estes dados. Se isto não é escrever com os pés, o que é?

[Post 4405]

6.2.11

Como se escreve nos jornais

Inacreditável... ou quase


      «No entanto, os seus hábitos [do arminho] esquivos e a falta de estudos aprofundados sobre este animal não permitem haver dados concretos sobre sua densidade populacional em solo nacional, mas estimando-se, apesar de tudo, que não exista um grande número de exemplares no estado selvagem» («O sobrevivente da cobiça real e exterminador natural», José Pedro Gomes, Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 42).
      Há quem escreva quase tão mal — mas não é jornalista.

[Post 4402]

25.1.11

Como se escreve nos jornais

Das osgas


      «As histórias repetem-se e não são exclusivas de Portugal. Não falta quem garanta que ficou careca a partir do dia em que uma osga esteve na sua cabeça; e quem afirme ter ficado cheio de dores no corpo por ter comido por um utensílio de cozinha onde uma osga caiu acidentalmente. Há ainda relatos mais dramáticos que dão conta da morte de indivíduos envenenados por esta espécie. O curioso é que os especialistas encontraram versões iguais em outros países, onde predomina a cultura árabe, como o Paquistão e o Egipto, levando a admitir que as crenças sejam um legado cultural. O próprio nome aponta nesse sentido. É que osga em árabe pronuncia-se wazaghah» («Herança árabe até no nome», Roberto Dores, Diário de Notícias, 16.01.2011, p. 45).
      «Osga em árabe pronuncia-se wazaghah»? Na peça principal, fala-se de uma campanha da Universidade de Évora para salvar as osgas, coordenada pelo biólogo Luís Ceríaco. Foi a uma comunicação deste académico que o jornalista foi copiar mal a informação. Cito o que interessa ao caso: «To strengthen this idea, one of the Arabic expressions for geckos is Bors or Wazaghah (Lane 1863), being the latter a word phonetically similar to the common Portuguese word of gecko “Osga”. Thus, we can assume that the folklore about the gecko, as its own common name, in Portugal, is most likely another cultural inheritance from Arabic origin.» No resumo desta comunicação, lêem-se estas pérolas: «Esta história, tal como a de que a urina de osga em alimentos matou alguém, são contadas desde o Norte de Portugal até ao Paquistão. Sendo a expressão árabe para osga extremamente semelhante à portuguesa (Wazaghah = Osga), e sabendo que em países que não tiveram sobre domínio árabe, este medos não existem, é provável que estas ideias sobre as osgas, sejam um vestígio da cultura islâmica em Portugal.»

[Post 4355]

10.1.11

Como se escreve nos jornais

Títulos e manias


      O obituário de hoje do Diário de Notícias tinha este título: «O mais moderado e diplomata dos três operacionais do 25A» (p. 43). Aposto, singelo contra dobrado, como alguns leitores ficaram de boca aberta e não souberam o que era aquele «25A». É contagioso e apareceu com o ataque às Torres Gémeas: a imprensa anglo-saxónica escreveu «9/11» e por cá achou-se isso a sofisticação máxima. Em 2004, com os ataques bombistas na estação de Atocha em Madrid, a imprensa da Península Ibérica escreveu «11-M». Há títulos mais estranhos, sem dúvida, como este da edição de hoje do Público: «Maurício rimou com eficácia em Vila do Conde» (p. 28). Só perguntaria que merda é esta se fosse malcriado.

[Post 4306]

9.1.11

Como se escreve nos jornais

Graves deficiências


      «O presidente da República Cavaco Silva vetou, ontem, o diploma que desjudicializa a mudança de sexo e do nome próprio no Registo Civil, alegando “graves insuficiências de natureza técnico-jurídica” naquele texto, aprovado na Assembleia da República com os votos favoráveis da Esquerda e de 12 deputados do PSD» («Cavaco veta mudança de sexo e de nome no Registo», Nuno Miguel Ropio, Jornal de Notícias, 7.01.2011, p. 10).
      Talvez nenhum dicionário registe o neologismo desjudicializar. Os mais comuns, como o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o mais próximo que registam é desjuizar ⇒ desajuizar, tirar o juízo a; endoidar; entontecer. É o que aquela forma de escrever faz aos leitores, tira-lhes o juízo, endoida-os, entontece-os. Talvez o sentido geral não lhes escape, mas os pormenores perdem-se pelos interstícios da gramática rarefeita e do léxico contrafeito.

[Post 4297]

6.1.11

Como se escreve nos jornais

Por um triz


      «Familiares e amigos, contactados pelo JN, contaram que os trabalhadores tinham sido contratados pelo dono da quinta, circundada pelo muro extenso, onde ocorreu o acidente, para taparem, com betão, os espaços entre as pedras, vulgarmente designadas por juntas» («Muro aluiu e matou operário», José Vinha, Jornal de Notícias, 6.01.2011, p. 22).
      Caro José Vinha: ainda bem que não nos quis sobrecarregar com a designação técnica dos intervalos entre as peças de alvenaria. Ah, e outra coisa: não gaste tantas vírgulas, que ainda lhe podem vir a fazer falta. Quem guarda, etc. Escuso-me de acabar o adágio porque de todos é sabido.

[Post 4282]

22.12.10

Como se escreve nos jornais

Mutações


      É ilustrativo da inanidade da crítica ver como para uns a música de Lady Gaga é puro lixo acústico, enquanto para outros é pura harmonia celestial imperdível. Bem, mas não é isso que interessa agora, mas o nome da criatura. Da «loura explosiva», como li há dias, mas esta é uma opinião ainda menos consensual. O nome, pois. Há escassos meses, era Lady GaGa (e podia até ser, a acreditar na fonte de inspiração, Lady Ga Ga); agora, já é Lady Gaga. Descuido ou mera imitação do que se vai escrevendo na imprensa internacional? «O vídeo que promove o novo álbum da cantora Lady GaGa levou 15 milhões de pessoas ao YouTube» («Lady GaGa colocou a irmã no vídeo visto por 15 milhões», Diário de Notícias, 16.03.2010, p. 56). «Os números antecipados não deixaram ninguém enganado. Os números, entenda-se, das vezes que Lady Gaga mudou de roupa, dos novos temas a ser revelados ao longo do concerto, da quantidade de camiões que transportam na estrada todo o aparato cénico que transporta a Monster Ball Tour» («O baile de orgulho de Lady Gaga e os seus ‘monstrinhos’», Nuno Galopim, Diário de Notícias, 12.12.2010, p. 58).

[Post 4217]

16.12.10

Títulos jornalísticos

Os adolescentes sabem


      «“Fazer um título é complicado na medida em que é difícil encontrar uma fórmula que intrigue o leitor, que seja chamativa, não seja especulativo e que informe”, disse Bárbara Almeida, de 14 anos, aluna da Escola Básica Paulo da Gama, na Amora» («Alunos aprendem a fazer títulos e a vencer dificuldades», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 11.06.2010, p. 67). Estão a ver como uma adolescente, em visita ao Media Lab do Diário de Notícias, sabe como fazer um título jornalístico? Na última crónica do provedor do Público, esta questão foi abordada. Em causa estava um título abstruso: «Só ameaça de demissão de Assis travou revolta na Bounty socialista». Recomenda no fim o provedor, José Queirós: «“Revolta”, embora aparentemente pífia, ainda vá. Agora “na Bounty”, a que propósito? Se a isto juntarmos que em nenhuma parte do destaque se explica o que foi essa “revolta na Bounty”, podemos concluir que a escolha de um título algo críptico, e por isso menos eficaz, deveria ter sido evitada» («Títulos para descodificar», Público, 12.12.2010, p. 39).

[Post 4194]

11.11.10

Como se escreve nos jornais

Coloque-se na rua!


      Rui Tavares queixava-se aqui ontem de que no Público não lhe revêem os textos. Melhor, mais cuidadoso: «Parece-me que os textos não são revistos, ou quando são a revisão não é feita de acordo com as novas regras». Como é que iam preocupar-se com isso se deixam passar brutezas como esta: «Oliveira Costa colocado em liberdade e BPN ainda com resultados negativos» (11.11.2010, p. 22). Bem vejo: «Lusa/PÚBLICO». A acrescentar aos disparates próprios, os jornais deixam passar os disparates que vêm da Lusa. Um dos mais comuns, ultimamente, é o vocábulo «auto-estrada» grafado segundo as novas regras ortográficas em jornais que ainda as não seguem: «A GNR tem feito várias operações de forma a dissuadir concentrações de carros alterados, cujos condutores escolhem a A2 para corridas ilegais. Mas parte dos locais de concentração são na área de competência da PSP, o “que dificulta o trabalho da GNR, que tem sob sua competência a Ponte Vasco da Gama e a autoestrada do Sul”, diz a mesma fonte da GNR» («GNR procura filme de corrida que matou condutor na A2», Sónia Simões, Diário de Notícias, 31.10.2010, p. 27).

[Post 4065]